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quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Estado de S. Paulo




Tulipa Ruiz e seu pop florestal

Urbana, mas ligada na natureza, a cantora e compositora equilibra poesia e bom humor no autoral CD de estreia

25 de abril de 2010 | 0h 00
Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S.Paulo

Karina Buhr, Thiago Petit e agora Tulipa Ruiz. A onda de bons álbuns de estreia neste 2010 espelha o momento de significativa comunhão musical que toma ares de movimento em São Paulo. Efêmera (YB Music), de Tulipa, é mais um cruzamento de ótimas ideias. Sem pretensão e com aditivos de uma penca de amigos - alguns dos que fazem companhia a Karina e Thiago - que tocaram, fizeram coro e desenharam tulipas para o bonito encarte do CD, já entre os melhores do ano.

"A divulgação da minha música é coisa absolutamente virtual. Antes de sair o CD já está tudo na internet. Já nasci picotada, fragmentada. É tudo muito efêmero mesmo. Justo eu que adoro o ritual do disco", diz Tulipa.

Filha de guitar hero (Luiz Chagas, que tocou na banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção), Tulipa naturalmente privilegiou na sonoridade do CD os timbres de guitarra, pelas mãos do irmão, Gustavo Ruiz, que assina a produção. Isto também é resultado de experimentação em muitos shows que fizeram juntos.

Nascida em Santos, litoral de São Paulo, criada no interior de Minas (vem daí a expressão "pop florestal" que ela usa para dar pistas de seu som) e desenvolvida na capital paulista, Tulipa filtra influências desses ambientes. Daí as letras abordarem tanto elementos da natureza (A Ordem das Árvores), como cenas urbanas paulistanas (Às Vezes), personagens inventados (Pedrinho) e situações reais pessoais (Pontual, Só Sei Dançar Com Você).

Personalidade. Exceto a antiga, mas atualíssima, Às Vezes (Chagas), as demais são de autoria de Tulipa, que assina uma com o pai (Sushi) e três com o irmão (Efêmera, Do Amor e Brocal Dourado). Melodista e letrista espirituosa, ela desenha canções cheias de poesia, bom humor e feminilidade sem afetação. Seu timbre vocal é ímpar e delicado.

A cantora diz que pensou muito em Milton Nascimento ao desenvolver seu trabalho, mas, além do Clube da Esquina, a sonoridade obtida remete ao tropicalismo (Efêmera), ao soft rock dos anos 60 (Pontual) e à gloriosa Gal Costa dos 70 (A Ordem das Árvores), que tem o riff de guitarra de Ele me Deu Um Beijo na Boca (Caetano Veloso), de 1982. Caetano (How Beautiful Could a Being Be, de Moreno) também é citado em Aqui. Tudo, porém, é contemporâneo, tem cheiro de novo.

Muito ligada na fusão sound & vision, além das letras ricas em imagens, compôs Da Menina para um filme, fez a ilustração da capa do CD e pediu a vários amigos que pintassem tulipas para o encarte. "Foi inevitável chamar Edith Derdyck, que criou a capa de Caprichoso (1985), do Grupo Rumo", diz.

Também chamou Ná Ozzetti (ex-Rumo), mas não para cantar. Os desenhos de Ná devem ser projetados no show que Tulipa fará no fim de maio no Auditório Ibirapuera. Karina Buhr, Tatá Aeroplano, Romulo Fróes, Érika Machado, entre outros, também plantaram seus nomes nesse jardim de papel.

Céu, Iara Rennó, Anelis Assumpção e Thalma de Freitas se juntaram no coro. Em Pedrinho (em que Tulipa se imagina um homem amando outro) juntaram as vozes Tiê, Mariana Aydar, Juliana Kehl, Leo Cavalcanti e Tatá Aeroplano. Futuramente os retardatários vão se ligar que essa geração já começou a fazer História, embora essa "construção de instantes" seja difundida a granel, nestes tempos de produtos cada vez mais efêmeros.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

domingo, 30 de agosto de 2009

Com Jeneci e Laura Lavieri, no Grazie a Dio








imagem: Daniel Sandoval

luz - Paulo Fávero

técnico - Vitor Paranhos


Tulipa - voz

Jeneci - piano

Laura Lavieri - voz

Gustavo Ruiz - guitarra

Régis Damasceno - baixo

Curumin - bateria

Na casa das Caldeiras...





câmera 1 - Anna Penteado
câmero 2 e montagem - Fred Siewerdt
técnicos - Vitor Paranhos e Rodolfo Yadoya

Tulipa - voz
Luiz Chagas - guitarra
Gustavo Ruiz - guitarra
Duani Martins - bateria
Márcio Arantes - bateria
Dudu Tsuda - teclado

terça-feira, 30 de junho de 2009

Folha de S.Paulo: Tulipa Ruiz abre temporada no Grazie a Dio!



Tulipa Ruiz mostra hoje sua "música narrativa"

Cantora e compositora se apresenta no Grazie a Dio

MARCUS PRETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Há pouco mais de um ano, Tulipa Ruiz fez seus primeiros shows individuais no Studio SP, quando a casa ainda funcionava na Vila Madalena. Naquelas apresentações, cantava quase que exclusivamente as músicas de pai, o guitarrista Luiz Chagas. Os amigos da família compareceram em peso para ver "Tulipinha" no palco, "a crooner do papai".

Pois eles vão tomar um susto se aparecerem hoje à noite no Grazie a Dio, onde a cantora estreia nova temporada de shows. Ela completou 30 anos e, diz, já sente os principais efeitos dessa terceira década de vida refletidos em sua música.

"Falam em retorno de Saturno aos 28 anos, o meu veio aos 30. Agora, consigo comensurar melhor minhas limitações e minhas capacidades", diz. "Sei poucos acordes no violão, mas faço as coisas com o mínimo que tenho."

E o mínimo que ela tem não é pouco. Foi ferramenta suficiente para que ela compusesse muitas canções novas, quase todas do roteiro deste novo show. Elas devem constar em seu álbum de estreia, com lançamento planejado para o final do ano. A produção deve ficar sob os cuidados do pai e do irmão, o também guitarrista Gustavo Ruiz, da banda Trash pour 4.

Tulipa gosta de fazer letras narrativas. Muito por influência daquelas que o vanguardista Luiz Tatit compôs nos anos 80 para o Rumo, sua banda preferida desde a infância.

Até outro dia, ela não mostrava suas composições nem para os músicos de casa. "Ficava com vergonha, achava tosco, tinha medo que fossem me reprimir", conta. Hoje, pai e irmão tocam em sua banda e conhecem todas elas de cor. Mas ainda se surpreendem com os temas abordados nelas.

Chagas estava em casa quando Tulipa recebeu a reportagem da Folha. E ficou sabendo naquele exato momento que "Pedrinho", uma das canções do repertório, não tinha sido feita para um casal, mas para dois meninos.

"Pedrinho parece comigo, mas bem-resolvido com sua nudez./ (...) Pedro, essa cantiga não fala de amor/ Mas, querido, essa canção acho que me entregou./ (...) Tirou da cartola uma flor e me presenteou num domingo de sol./ É meu amigo querido, até dormiu comigo no meu lençol", diz a canção. Além do pai e do irmão, a banda de Tulipa conta com Marcio Arantes no baixo e Duani na bateria. O resto ela faz sozinha. E muito bem.



terça-feira, 28 de abril de 2009

Folha de São Paulo - março 2008




MARCUS PRETO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Ainda que seus arranjos silenciosos façam supor uma completa solidão, "Sweet Jardim", álbum de estreia da paulistana Tiê, 28, pode ser tudo -menos o trabalho de uma artista solitária. Foram muitas as mãos e cabeças envolvidas nos vários processos de sua criação, repetindo um esquema de colaboração mútua cada vez mais comum na cena independente.

Nele, os músicos driblam a falta de dinheiro dando de graça o que têm de melhor -seja criatividade, método ou mão de obra. Essas parcerias fazem a engrenagem rodar, gerando sua própria energia.

"São Paulo é meio precursora nisso", diz o carioca Plínio Profeta, 39, produtor de "Sweet Jardim". "Os músicos paulistanos são mais articulados. Um exemplo é o [coletivo] Instituto, que compõe, toca, cria selo, lança disco, um ajuda o outro. Quando um se destaca, todos ficam em evidência."

É preciso não confundir essa cooperação artística com um novo movimento musical, como foi a bossa nova, a jovem guarda ou a tropicália. Aqui, os trabalhos de cada um dos elementos do grupo são radicalmente diferentes entre si em termos de estilo.

"Eu sou do rock, mas posso ajudar a Tiê, que faz um som mais leve, a criar uma letra ou a montar uma página no MySpace", exemplifica Naná Rizzini, 28. Lançando seu primeiro EP, ela lembra que a rede não envolve apenas músicos. "Tenho amigos designers, fotógrafos, figurinistas... Assim, o projeto gráfico, a maquiagem, cabelo, os clipes, tudo vira custo zero."

Tatá Aeroplano, 33, nota que os artistas estão mais interessados em compreender e dominar o lado não-artístico da música. E contabiliza o quanto estar inserido num esquema coletivo pode tornar viável a realização de um disco. "A gente paga os caras envolvidos na produção, estúdio e mixagem, mas é uma quantia simbólica", diz. "O CD mais recente da minha banda Cérebro Eletrônico custou R$ 15 mil. É pouco para o resultado que conseguimos."

Moeda de troca
Finalizando a produção do segundo CD do Jumbo Elektro, uma das bandas de que faz parte, Dudu Tsuda, 29, diz que tudo vale como moeda de troca. "Você pede um microfone ou um gravador e acaba pagando com uma trilha, tocando um instrumento num jingle ou com uma garrafa de uísque."

"O meu vai ser na base da camaradagem total da galera. Se eu fosse pensar em contratar músico, ficaria inviável fazer qualquer coisa", diz Tulipa Ruiz, 30, que pretende estrear em disco este ano. Ela afirma que esse revezamento dos mesmos artistas em vários álbuns não "vicia" a sonoridade dos trabalhos nem limita os horizontes estéticos dos envolvidos. "Ao contrário. A cada disco que a gente faz junto, um traz coisas novas para o outro", diz.

"Isso acontece porque somos um coletivo em que todo mundo pode exercer totalmente sua individualidade", define o ex-ator Thiago Pethit, 26, que acaba de lançar seu primeiro EP. "Comecei a ficar infeliz com o teatro na mesma época em que dirigi um show da Tiê e do Dudu", recorda. "Vendo eles no palco, entendi que o que eu queria para mim estava ali: um monte de gente jovem e interessante fazendo coisas para gente jovem e interessada."

"Sempre achei que essa crise na indústria ia render uma virada artística", conclui Plínio Profeta. "A turma dos anos 2000 reagiu e aprendeu que, juntando as forças, poderia fazer o que quisesse."

Música de Bolso - Especial de Natal







Programa Radiola - Às vezes




Programa Radiola - Cada Voz



Música de Bolso - Pedrinho

Música de Bolso - Pela Madrugada




Revista TPM - agosto 2008

Entrevista no blog pernambucano de German Ra